Nos últimos anos, a adoção de ferramentas digitais de modelagem e planejamento tem começado a alterar esse cenário. Uma das metodologias que vem ganhando espaço no setor é o Building Information Modeling, conhecido como BIM, que permite desenvolver modelos digitais completos das construções antes mesmo do início da obra.
A construção civil brasileira enfrenta há décadas desafios estruturais relacionados à produtividade, ao desperdício de materiais e à falta de integração entre as etapas de planejamento e execução das obras. Em um setor que movimenta bilhões de reais por ano e impacta diretamente o desenvolvimento urbano do país, especialistas apontam que a modernização tecnológica se tornou um dos principais caminhos para reduzir custos e aumentar a eficiência dos projetos.
Levantamentos do setor indicam que parte significativa dos problemas enfrentados nas obras está relacionada à falta de compatibilização entre projetos arquitetônicos, estruturais e de instalações. Quando esses elementos são desenvolvidos separadamente, sem integração técnica, conflitos acabam surgindo apenas durante a execução da obra, o que gera atrasos, retrabalho e aumento de custos.
Por meio dessa tecnologia, profissionais conseguem visualizar a edificação em três dimensões, integrar diferentes disciplinas do projeto e identificar interferências técnicas ainda na fase de planejamento. Esse processo reduz significativamente a possibilidade de erros durante a execução e melhora a organização do cronograma da obra.
Para o engenheiro civil Thiago Oliveira da Silva, que trabalha com desenvolvimento de projetos utilizando essa metodologia, o principal avanço está justamente na capacidade de antecipar problemas que antes só eram percebidos no canteiro de obras.

Segundo ele, quando arquitetura, estrutura e instalações são planejadas dentro de um único ambiente digital, torna-se possível identificar conflitos técnicos com antecedência e realizar ajustes antes do início da construção. Isso contribui para reduzir desperdícios, melhorar o planejamento financeiro e aumentar a eficiência do processo construtivo.
Thiago atua na engenharia civil desde 2016, período em que iniciou atividades técnicas ainda durante a graduação. Ao longo de sua formação participou de programas de extensão universitária, projetos acadêmicos e atividades práticas que envolveram desde iniciativas de engenharia pública até estudos ambientais voltados ao planejamento territorial.
Após concluir a graduação em Engenharia Civil pela Universidade do Grande Rio, passou a atuar profissionalmente no desenvolvimento de projetos arquitetônicos e de engenharia, assumindo responsabilidade técnica por diferentes tipos de edificações e soluções construtivas.
Nos últimos anos, a digitalização dos processos de engenharia também abriu novas oportunidades de atuação para profissionais brasileiros no cenário internacional. Com o avanço das plataformas colaborativas e das ferramentas de modelagem digital, tornou-se possível desenvolver projetos e prestar serviços técnicos para empresas localizadas em outros países.
Thiago destaca que esse movimento vem sendo impulsionado pela padronização de processos digitais e pela demanda global por profissionais capacitados em modelagem e planejamento técnico. Ao longo de sua atuação profissional, ele participou do desenvolvimento de projetos internacionais que já ultrapassam 100 mil square feet em áreas projetadas.
A experiência permitiu contato com diferentes padrões de projeto e metodologias utilizadas em outros mercados, ampliando a visão sobre as transformações que vêm ocorrendo na engenharia civil em escala global.
Especialistas apontam que a tendência é que o uso de ferramentas digitais e metodologias integradas se torne cada vez mais comum no setor da construção. Em um cenário de maior exigência por eficiência, planejamento e sustentabilidade, a tecnologia tende a assumir um papel central na forma como as obras são planejadas e executadas no país.

