Da prancha ao estúdio: como a disciplina do esporte pode impulsionar o desenvolvimento artístico

0
12
Disciplina, constância e vivências fora da arte moldam a trajetória de Marcos, que transforma técnica em liberdade criativa e constrói na música um caminho de evolução contínua.

Disciplina, constância e vivências fora da arte moldam a trajetória de Marcos, que transforma técnica em liberdade criativa e constrói na música um caminho de evolução contínua.

Em um cenário em que a carreira artística costuma ser associada à espontaneidade e inspiração, cada vez mais profissionais da música têm defendido a importância da disciplina como elemento central no processo criativo. Para o brasileiro Marcos Pereira Ribeiro, que iniciou sua trajetória como surfista profissional antes de se dedicar à música, o desenvolvimento artístico exige um nível de comprometimento comparável ao treinamento de alto rendimento no esporte.

Marcos competiu no circuito profissional de surfe entre 2005 e 2010, período em que foi patrocinado pela marca americana Hurley e participou de competições em diferentes localidades. A rotina era marcada por treinos constantes, preparação física e mental e a necessidade de lidar com pressão e resultados, características que ele afirma ter levado consigo para a nova fase da vida.

Hoje vivendo nos Estados Unidos e estudando no California College of Music, onde se dedica ao violão, piano e produção musical, Marcos acredita que a formação esportiva moldou a forma como encara o aprendizado artístico.

“A prática musical exige muita repetição, paciência e foco, exatamente como no esporte. Muitas vezes as pessoas enxergam a arte apenas como inspiração, mas existe um trabalho diário muito intenso por trás”, afirma.

Segundo ele, a transição entre esporte e música se tornou mais natural justamente por causa dessa mentalidade de treinamento. Assim como um atleta precisa aperfeiçoar movimentos e estratégias ao longo de anos, músicos também passam por um processo contínuo de desenvolvimento técnico.  “No surfe, você repete movimentos centenas de vezes até que eles se tornem naturais. Na música acontece algo parecido: você estuda escalas, acordes, ritmo e percepção até que o instrumento se torne uma extensão de você”, diz.

A experiência acumulada em diferentes áreas da vida reforçou em Marcos a percepção de que disciplina e criatividade não são conceitos opostos, pelo contrário, podem se complementar. Para ele, quando você domina a técnica, ganha liberdade para experimentar e se expressar de forma mais autêntica.”

Antes de se dedicar integralmente à música, Marcos também construiu uma trajetória na área técnica, trabalhando na construção civil e se formando como técnico em Segurança do Trabalho e técnico em Edificações. Para ele, essas experiências ajudaram a desenvolver organização e responsabilidade, características que hoje fazem parte de sua rotina de estudos e produção musical.

Pai e em processo de formação artística, Marcos afirma que a música se tornou não apenas um novo caminho profissional, mas também um espaço de aprendizado contínuo. “A arte ensina humildade, porque sempre existe algo novo para aprender. Ao mesmo tempo, o esporte me mostrou que evolução depende de constância. Não é sobre tocar bem um dia, mas sobre estudar um pouco todos os dias.”

Para quem deseja desenvolver habilidades artísticas, ele defende que a dedicação prática é tão importante quanto o talento natural.  O talento pode abrir portas, mas disciplina é o que sustenta uma trajetória. Seja no esporte ou na música, para Marcos, o progresso vem da repetição, da persistência e da vontade de evoluir.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
6 * 2 = ?
Reload

This CAPTCHA helps ensure that you are human. Please enter the requested characters.