Imagem profissional e autenticidade: onde está o equilíbrio?

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Tem uma cena que eu já vi acontecer mais vezes do que eu gostaria. A pessoa investe em mentoria, segue os conselhos do guru de plantão, monta o personagem certinho e vai para as redes sociais mostrar o carro que não é dela, a bolsa que ela não pode pagar e a vida que ela não vive. Tudo dentro do molde. Tudo dentro do padrão. E por um tempo, parece funcionar. Mas só por um tempo.

A questão que ninguém está disposto a responder em voz alta é: até quando?

Eu mesma já sentei numa mentoria e ouvi que precisava mostrar carro importado, roupas de marca e um padrão de vida específico para vender. A lógica era simples: mostre para as pessoas a vida que elas querem viver e elas vão comprar o que você está oferecendo. Entendo a lógica. Sei que funciona para muita gente. Mas não conectava comigo. Não porque eu seja ingênua sobre como o mercado funciona, mas porque o meu conceito de sucesso nunca foi esse. E fingir que era me custaria algo que eu não estava disposta a pagar: a minha própria identidade.

Quando eu comecei a analisar com mais profundidade o que acontecia nos bastidores de muitos desses perfis, a realidade era outra. Casas alugadas para gravar conteúdo. Carros financiados sem condição de pagar. Gurus ensinando a empreender sem nunca ter tido um negócio de verdade na vida. Pessoas vendendo fórmula de sucesso enquanto viviam uma ilusão construída para vender curso. Isso não é posicionamento estratégico. Isso é personagem. E personagem cansa.

Existe uma diferença muito clara entre construir uma imagem profissional sólida e forçar uma imagem que não tem nada a ver com você. Posicionamento estratégico é você entender quem é o seu público, quais são os seus valores, quais são os seus pontos fortes e usar tudo isso a seu favor. É você se apresentar de forma coerente com quem você realmente é. Forçar uma imagem é quando você coloca de fato uma máscara. É quando você muda seus princípios, seus valores, sua forma de se expressar para convencer pessoas de que você é alguém que você não é.

A linha entre os dois parece tênue, mas na prática não é. Você sente a diferença no corpo. Você sente quando está sendo você e quando está bancando um personagem.

E o problema não é só o cansaço, que já seria suficiente. O problema maior é o que acontece quando você vive dentro de um personagem por tempo demais. Você começa a perder a referência de quem você realmente é. Você não sabe mais o que é seu e o que foi moldado para aquele papel. Você olha para dentro e não se reconhece. E quando isso acontece, as coisas deixam de fazer sentido. Não só profissionalmente. Em tudo.

Hoje, com o avanço da tecnologia e da inteligência artificial, todo mundo parece igual. Os conteúdos parecem iguais, as fotos parecem iguais, as frases parecem iguais, os posicionamentos parecem iguais. E é exatamente por isso que a autenticidade deixou de ser um diferencial opcional para se tornar o único caminho que faz sentido.

As pessoas não querem mais perfeição. Elas querem conexão real. Elas querem saber com quem estão falando de verdade. As gerações estão mudando, o comportamento está mudando, e quem ainda está preso na lógica do personagem vai sentir isso na pele.

Ser você não é uma estratégia de marketing. Mas é o que gera a conexão mais duradoura que existe.

Autenticidade, na minha definição depois de tudo que já vivi, é a coragem de ser imperfeita aos olhos de algumas pessoas. É a coragem de não se encaixar no molde. É a coragem de ser criticada porque você não é igual a todo mundo. Já ouvi que falo demais, que sou prolíxa, que deveria me posicionar diferente. E as mesmas características pelas quais fui criticada são as que outras pessoas elogiam. Isso me mostrou algo muito simples: eu vou me conectar com as pessoas que eu tiver que me conectar. E essas serão as pessoas certas.

Isso não significa que você não precise evoluir, melhorar, se desenvolver. Significa que o ponto de partida precisa ser real. Significa que a base precisa ser você.

Se eu pudesse dar um chacoalhão em quem ainda está segurando uma máscara com medo de ser rejeitada, eu perguntaria: por quanto tempo você ainda vai conseguir sustentar isso? Quem te disse que o que está por trás da máscara não é suficiente? Quem plantou essa ideia de que você precisava ser outra pessoa para ser aceita, respeitada ou bem-sucedida?

Nós não somos perfeitos apesar das nossas imperfeições. Nós somos perfeitos exatamente com as nossas imperfeições. Somos seres em evolução.

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