Nesse cenário diverso e ainda nebuloso em que os profissionais do audiovisual estão aprendendo a navegar, “Beleza Fatal”, primeira novela da Max, desponta como fruto de uma era em que o sucesso pode ser gozar de popularidade num nicho específico da sociedade e provocar conversas nas redes sociais, um ambiente dominado por uma minoria ruidosa que consegue pautar a grande imprensa ao ponto de fazer os assuntos que discutem reverberarem como se fossem temas de interesse público. Números seguem sendo muito importantes, mas já não são tão absolutos assim.
Exibida pela Max, uma plataforma que não é a mais popular do Brasil e que luta para ganhar espaço, “Beleza Fatal” conquistou um feito e tanto ao agradar público e parte da crítica especializada com um folhetim que não teve vergonha de modernizar velhos clichês da teledramaturgia. Além disso, a novela ofuscou a reta final de “Mania de Você” e disputou de igual pra igual com o BBB 25 espaço nas redes sociais e nas manchetes dos grandes portais.
Os motivos para tamanha aceitação são vários. A começar, pelos bastidores. A Max foi muito feliz ao contratar profissionais experientes que dominam a arte de fazer novelas, como o autor Silvio de Abreu e Edna Palatinik, que atuou durante anos analisando projetos de teledramaturgia na Globo. É visível que Raphael Montes foi muito bem orientado em sua primeira incursão no gênero. “Beleza Fatal” não caiu na armadilha de ser um híbrido entre série e novela, uma mistura que até hoje não se mostrou eficaz. “Beleza Fatal” tem cara de novela, trama de novela, diálogos de novela.

Raphael Montes tem grande mérito no resultado de “Beleza Fatal” por não ter tido medo de apostar numa trama rocambolesca, mas que prendia a atenção do espectador tal qual fenômenos de popularidade do streaming, como “Casa de Papel”.
“Beleza Fatal” beneficiou-se de ser um projeto enxuto (40 capítulos), o que permitiu que o autor entregasse uma narrativa ágil e promovesse um entretenimento descompromissado, que não se leva à sério e que compreende que, diante de uma realidade tão dura, o melhor remédio é uma história mirabolante que serve como um antídoto aos problemas da vida.
Fonte UOL