Europa ganha escudo de IA com o “Domo Michelangelo”

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A empresa italiana Leonardo apresentou um projeto de escudo impulsionado por inteligência artificial (IA) voltado à proteção de cidades e infraestruturas críticas. O anúncio ocorre em um cenário de reforço dos sistemas de defesa na Europa, impulsionado por tensões geopolíticas e pela busca por maior autonomia estratégica.

Chamado de “Domo Michelangelo”, o sistema combina diferentes plataformas para identificar e neutralizar ameaças que vão do mar ao ar, incluindo mísseis e enxames de drones. A companhia prevê que a solução esteja plenamente operacional até o fim da década.

enxame de drones
Objetivo do novo “domo” é proteger de ameaças como mísseis e até enxames de drones (Imagem: Andy Dean Photography / Shutterstock.com)

Estrutura do “Domo Michelangelo”

A Leonardo descreve o projeto como um sistema baseado em arquitetura aberta, permitindo interoperar com estruturas de defesa de diversos países. A referência ao Domo de Ferro israelense e às discussões sobre um “Domo de Ouro” nos Estados Unidos destaca o papel de integração e resposta rápida a ataques.

“Em um mundo onde as ameaças evoluem rapidamente e se tornam cada vez mais complexas — e onde defender é mais custoso do que atacar — a defesa deve inovar, antecipar e abraçar a cooperação internacional”, disse Roberto Cingolani, CEO da Leonardo, durante o evento de lançamento.

A empresa reforça que a proposta se apoia em sensores, comando e controle e interceptadores integrados. A adoção de uma arquitetura aberta também visa facilitar atualizações futuras e ampliar o alcance do sistema entre diferentes forças armadas.

domo de ferro
Projeto de domo europeu faz referência ao Domo de Ferro israelense (Imagem: Naeblys / iStock)

Mercado de defesa em expansão

A alta nos investimentos militares na Europa reflete diretamente no desempenho das empresas do setor. Desde janeiro de 2025, as ações da Leonardo subiram cerca de 77%, em linha com um ano de expressivos ganhos para companhias de defesa. No mesmo período, a britânica BAE Systems avançou 42,7%, a alemã Rheinmetall registrou alta de 148,9% e a francesa Thales cresceu 63,8%.

Além da construção de novos sistemas, executivos apontam que a interoperabilidade ainda é um desafio. O CEO da Airbus, Guillaume Faury, afirmou que os protocolos de troca de dados no campo de batalha continuam “bastante limitados”, estimando que a criação de um “campo de batalha digital” europeu pode levar até uma década.

Investimentos e prioridades na Europa

Governos europeus anunciaram novos compromissos para ampliar o orçamento de defesa. Em maio, a União Europeia apresentou um programa de 150 bilhões de euros para empréstimos de longo prazo destinados à aquisição de equipamentos e expansão da capacidade industrial. Em junho, os países da OTAN reforçaram metas para elevar os gastos com defesa e segurança até 2035.

Bandeira da União Europeia em dia ensolarado
Governos europeus anunciaram novos investimentos para ampliar orçamento de defesa (Imagem: Shutterstock)

Esse movimento também altera prioridades dentro do setor. Especialistas observam uma transição do foco exclusivo em hardware para arquiteturas integradas de comando e controle. “A guerra moderna é vencida pela rede que integra todas as plataformas em um único ciclo de decisão”, afirmou Loredana Muharremi, analista de ações da Morningstar, ao avaliar a tendência.

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Riscos do projeto e nova concorrência

Entre os riscos associados ao “Domo Michelangelo” estão atrasos de execução e a dependência dos ciclos de compras europeus, segundo Meghan Welch, diretora-gerente da Brown Gibbons Lang & Company. Esses fatores podem influenciar o ritmo de adoção do sistema pelos países do continente.

Ao mesmo tempo, o setor vive o avanço de startups especializadas em tecnologias autônomas e soluções baseadas em inteligência artificial. A alemã Helsing, focada em drones com IA, levantou 600 milhões de euros e dobrou sua avaliação para 12 bilhões de euros em junho, conforme reportado pelo Financial Times. A Quantum Systems, que também desenvolve tecnologia autônoma para defesa, triplicou seu valor de mercado para mais de 3 bilhões de euros após captar 180 milhões de euros.




Fonte Olhar Digital

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