Por Luan Guimarães Trindade
Colunista – Gazeta de Brasília
Existe um mito confortável no empreendedorismo brasileiro: o de que empresas quebram porque seus donos não trabalham o suficiente. A realidade é outra. Quem empreende no Brasil trabalha demais. Dorme pouco, leva problemas para casa e resolve situações que não aparecem em nenhum curso ou manual.
O que quebra empresas não é falta de esforço.
É decisão errada repetida ao longo do tempo.
E essas decisões quase sempre nascem do mesmo lugar: pressa, orgulho e falta de critério.
O problema não é o mercado. É a leitura errada dele.
“O mercado está difícil.”
Essa é uma frase que escuto todos os dias. E ela é verdadeira. O mercado está difícil para todos!
Se o mercado fosse o único fator, todas as empresas quebrariam ao mesmo tempo. Mas não quebram. Algumas crescem, outras se mantêm e outras desaparecem. A diferença não está no cenário externo, mas na forma como cada empresário decide dentro dele.
Coragem não é teimosia
Coragem é indispensável para empreender.
Teimosia, por outro lado, é fatal.
Vejo empresários que:
- insistem em produtos sem margem,
- mantêm pessoas erradas porque “são de confiança”,
- aceitam clientes ruins por medo de perder faturamento,
- não ajustam preços porque “o concorrente cobra menos”.
Isso não é estratégia.
É medo disfarçado de experiência.
Caixa não mente. Emoção mente.
Empresa não morre no Instagram.
Empresa morre no fluxo de caixa.
Ainda assim, muitos empresários preferem ouvir:
- a própria intuição,
- o palpite de amigos,
- ou a memória de quando algo “deu certo no passado”,
em vez de olhar para números básicos como margem, custo real, ticket médio e inadimplência.
Número não tem ego.
Número mostra exatamente onde está o erro.
Quando o empresário se recusa a decidir com base em dados mínimos, ele se torna refém da própria esperança. E esperança, infelizmente, não paga boleto.
Decisão ruim nasce da solidão
Existe outro ponto pouco discutido: empresários erram mais porque decidem sozinhos demais.
Não se trata de ter um conselho sofisticado ou um board internacional. Trata-se de ter alguém que questione, confronte e obrigue você a explicar suas decisões. Quando ninguém questiona, justificativas viram verdades absolutas. E erros viram convicções.
Empresa madura não é a que acerta sempre.
É a que corrige rápido.
Motivação não sustenta empresa. Método sustenta.
Motivação acaba.
Mercado muda.
Funcionários saem.
Clientes desaparecem.
O que permanece é:
- processo,
- critério,
- clareza na tomada de decisão.
Empresários que decidem com método erram menos, perdem menos dinheiro, dormem melhor e crescem de forma menos caótica. Quem decide no impulso passa a vida apagando incêndio, até cansar.
A verdade que ninguém gosta de ouvir
Ninguém vai salvar sua empresa.
Não é o governo.
Não é o banco.
Não é um consultor.
Não é um milagre.
A empresa é um reflexo direto da qualidade das decisões do dono.
Enquanto o empresário insistir em colocar o problema sempre fora, no mercado, na economia, nos outros, e não dentro da sala onde as decisões são tomadas, nada muda.
Luan Guimarães Trindade
Pai, empresário e CEO
Este artigo reflete minha atuação direta como empresário e líder organizacional, aliada a pesquisas aplicadas sobre tomada de decisão estratégica, gestão de negócios e construção de empresas sustentáveis em ambientes de alta pressão e instabilidade.

