Holding familiar não é coisa de milionário, é coisa de quem pensa no futuro

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Por Kádia Barro

Durante muito tempo, a palavra holding foi associada a grandes empresários, famílias bilionárias ou estruturas complexas reservadas a quem já acumulou muito patrimônio. Esse mito ainda afasta milhares de brasileiros de uma das ferramentas mais eficientes de organização patrimonial e sucessória existentes hoje.

A verdade é simples e direta: não é preciso ser milionário para fazer uma holding. Mais do que isso: nem mesmo é necessário já ter bens.

Holding é estrutura, não riqueza

Uma holding familiar nada mais é do que uma empresa criada para organizar, proteger e planejar o patrimônio de uma pessoa ou família ao longo do tempo. Ela não nasce rica, ela nasce organizada.

Muitos acreditam que só vale a pena criar uma holding quando já se tem imóveis, empresas ou investimentos relevantes. Mas o maior valor da holding está justamente em acompanhar a formação do patrimônio desde o início, e não apenas quando ele já está consolidado.

É possível criar uma holding sem bens? Sim.

É perfeitamente possível, e muitas vezes recomendável, criar uma holding antes da primeira aquisição patrimonial. Nesse caso, a holding passa a ser o “endereço jurídico” onde os bens futuros serão colocados.

Funciona assim: a pessoa cria a holding e, quando compra o primeiro imóvel, abre um negócio ou faz um investimento relevante, já realiza a aquisição diretamente pela pessoa jurídica. Isso traz vantagens importantes:

  • organização desde o início;
  • separação clara entre patrimônio pessoal e patrimonial;
  • facilidade para planejamento sucessório futuro;
  • visão de longo prazo na construção do patrimônio.

Ou seja, a holding não é o fim da jornada patrimonial, ela pode ser o começo.

Para quem a holding realmente faz sentido

A holding é indicada para:

  • famílias que querem evitar inventário no futuro;
  • pessoas que desejam organizar a sucessão com antecedência;
  • quem pretende adquirir imóveis ao longo da vida;
  • profissionais liberais ou empresários que querem proteger o patrimônio;
  • pais que desejam preparar a sucessão para os filhos com equilíbrio e clareza.

Não se trata de “quanto você tem”, mas de como você quer construir e transmitir o que terá.

Planejar cedo custa menos, financeira e emocionalmente

Quando o planejamento é feito cedo, ele é mais simples, mais barato e muito mais eficiente. Quem deixa para organizar o patrimônio apenas na velhice ou diante de uma emergência acaba pagando mais impostos, enfrentando mais conflitos familiares e lidando com decisões tomadas sob pressão.

A holding familiar permite que essas decisões sejam feitas com calma, lucidez e estratégia, enquanto a pessoa está viva, ativa e no controle da própria história.

Holding é ferramenta de classe média também

Hoje, grande parte das holdings familiares estruturadas no Brasil não pertence a famílias milionárias, mas sim à classe média organizada, que tem um ou dois imóveis, um pequeno negócio ou planos de crescimento patrimonial.

Essas famílias entenderam que planejamento não é luxo, é responsabilidade.

Conclusão

A pergunta correta não é “sou rico o suficiente para ter uma holding?”, mas sim:
“quero construir meu patrimônio de forma organizada e evitar problemas no futuro?”

Se a resposta for sim, a holding pode, e deve, ser considerada, independentemente do tamanho atual do patrimônio. Porque, no fim das contas, holding não é sobre riqueza acumulada, é sobre visão de futuro.

Kádia Barro
Advogada especializada em planejamento patrimonial, sucessório e estruturas nacionais e internacionais

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