Diferença gastronômica de capital para o interior: uma jornada de sabores e redescobertas

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Publicado em 14/01/2026

Entre o ritmo acelerado das metrópoles e a tradição do interior, uma reflexão sobre como a diferença gastronômica de capital para o interior transforma nossa relação com a comida.

Sou paulistana, criada no ritmo acelerado de São Paulo, e sempre tive orgulho da cidade que nunca dorme. Cresci cercada por restaurantes para todos os gostos, cafeterias em cada esquina e a praticidade do delivery que chega antes mesmo da fome apertar. Mas, em meio a tanta oferta, senti que precisava experimentar um novo estilo de vida — e uma nova forma de me relacionar com a comida.

Foi assim que decidi trocar São Paulo por Florianópolis.

Se em São Paulo as ruas parecem não ter fim, repletas de comércios, prédios e trânsito intenso, em Florianópolis muitas vezes o fim da rua termina no mar. A paisagem substitui o concreto; o som das ondas ocupa o lugar das buzinas. Para quem viveu anos na maior metrópole do país, a mudança não foi apenas geográfica — foi sensorial, cultural e também gastronômica.

Depois de um tempo vivendo na ilha, que é a capital de Santa Catarina, resolvi ir ainda mais longe nessa experiência e me mudei para uma pequena cidade do interior, considerada a cidade das hortaliças, com pouco mais de 11 mil habitantes. Ali, a cultura era preservada com orgulho e a rotina seguia em outro compasso. Foi nesse cenário que a diferença gastronômica de capital para o interior começou a se revelar de maneira profunda e prática no meu dia a dia.

Acostumada à variedade quase infinita de opções em São Paulo, senti falta de sair para tomar um café diferente ou experimentar um restaurante novo. No interior, as alternativas eram limitadas — e isso me provocou uma reflexão inevitável: se eu quisesse consumir algo diferente, teria que preparar em casa. Foi nesse momento que compreendi, na prática, a diferença gastronômica de capital para o interior: enquanto na capital consumimos experiências prontas, no interior aprendemos a construí-las.

E foi justamente aí que começou meu maior aprendizado.

Para uma paulistana habituada a encontrar frutas já cortadas e embaladas, escolher ingredientes frescos, entender a sazonalidade e cozinhar do zero era quase um rito de passagem. Descobri que o sucesso de uma receita começa na escolha cuidadosa dos ingredientes. Aprendi que cozinhar exige tempo, presença e intenção — algo que muitas vezes deixamos escapar na correria das capitais.

Também percebi como o ritmo acelerado das grandes cidades transformou nossa relação com a comida. O fast food e os aplicativos de delivery ocuparam o espaço que antes pertencia às avós, ao nhoque de domingo preparado com calma, ao pão caseiro que reunia toda a família ao redor da mesa. No interior, a comida ainda é espera, tradição e memória afetiva.

Hoje, morando novamente em São Paulo, carrego comigo tudo o que aprendi nessa jornada. Continuo vivendo no ritmo acelerado da capital, mas minha relação com a cozinha mudou. Valorizo ingredientes, respeito o tempo das receitas e faço da mesa um espaço de encontro e conexão.

Porque, no fim das contas, a diferença gastronômica de capital para o interior não está apenas na quantidade de restaurantes ou na facilidade do delivery. Ela está na forma como vivemos a comida: se é pressa ou presença, consumo ou construção, conveniência ou afeto.

E foi entendendo profundamente essa diferença gastronômica de capital para o interior que transformei minha maneira de cozinhar, servir e compartilhar histórias à mesa.

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