
Com nova exigência legal, empresas deixam de tratar saúde mental como discurso e passam a responder por estrutura. Adriana Fellipelli alerta: adiar essa agenda já não é mais uma opção.
A partir de maio de 2026, a saúde mental entra oficialmente no radar regulatório das empresas brasileiras. Com a atualização da NR-1, fatores psicossociais passam a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, e isso muda o jogo. O que antes era tratado como clima organizacional agora se torna tema de governança, responsabilidade e continuidade do negócio.
Durante entrevista ao SBT Brasil, Adriana Fellipelli não suavizou o diagnóstico: empresas continuam tratando saúde mental como algo que pode esperar. Não pode.
A fala não é motivacional. É estrutural. O problema é simples e desconfortável: a maioria das organizações ainda reage, quando deveria antecipar.
A NR-1, base de todas as normas de segurança e saúde no trabalho no Brasil, passa a exigir que riscos psicossociais sejam formalmente identificados, avaliados e gerenciados. Isso inclui:
- sobrecarga
- assédio
- falhas de comunicação
- ausência de suporte
- metas inexequíveis
- tarefas repetitivas
Ou seja: o problema nunca foi invisível. Só foi ignorado.
O erro das empresas: tratar sintoma como estratégia
Campanhas de conscientização, palestras pontuais e ações isoladas continuam sendo usadas como resposta padrão.
O problema? Nada disso altera a estrutura que gera o desgaste.
E a nova NR-1 não está interessada em discurso. Está interessada em evidência.
Isso exige outra lógica:
- mapear risco
- priorizar
- agir
- monitorar
Sem isso, não é gestão. É maquiagem.
Saúde mental deixou de ser “tema humano” e virou risco operacional
O aumento de afastamentos por transtornos mentais, o avanço do burnout e a pressão sobre lideranças não são mais sinais, são consequência.
E consequência mensurável:
- queda de produtividade
- ruptura de equipes
- impacto financeiro
- perda de continuidade operacional
Ignorar isso hoje não é negligência emocional. É erro estratégico.
Os dados que escancaram o atraso
Levantamento conduzido pela Fellipelli com empresas de diferentes portes mostra um cenário que expõe o nível real de preparo:
- 46,67% das empresas ainda desconhecem ou não iniciaram adequação à NR-1
- 33,33% já identificaram burnout nos últimos 12 meses
- 20% nem sabem dizer se há casos
E os sinais estão claros:
- queda de engajamento (50%)
- exaustão emocional (31,25%)
Ou seja: o problema já existe. Só não está sendo tratado com método.
Onde entra a inteligência emocional e por que Fellipelli ganha relevância aqui
Enquanto parte do mercado ainda trata inteligência emocional como “soft skill”, Adriana Fellipelli posiciona o tema onde ele realmente está: na base da operação.
Inteligência emocional, nesse contexto, não é discurso comportamental.
É capacidade operacional de:
- sustentar decisões sob pressão
- conduzir conversas difíceis
- evitar escalada de conflito
- manter clareza em ambientes críticos
- preservar confiança em cenários de tensão
Quando isso falha, o impacto não é subjetivo. Ele aparece na cultura, na comunicação, na performance e, inevitavelmente, no resultado. É exatamente aqui que a fala de Fellipelli ganha peso.
Ela não está falando de bem-estar. Está falando de estrutura organizacional.
O que a NR-1 realmente obriga e o que as empresas ainda não entenderam
A nova exigência não pede “mais cuidado”. Ela exige gestão.
Na prática, isso significa:
- diagnóstico real de risco psicossocial
- integração com governança
- envolvimento direto da liderança
- acompanhamento contínuo
Não é projeto de RH. É decisão de diretoria.
Da obrigação à prática: onde entram os instrumentos e onde muitas empresas erram
É nesse ponto que a discussão sai do discurso e entra na execução.
A exigência da NR-1 não se resolve com percepção subjetiva ou leitura informal de clima. Ela exige método, critério e rastreabilidade. Nesse contexto, instrumentos estruturados passam a ter um papel relevante — desde que utilizados com responsabilidade.
Ferramentas como o EQ-i® 2.0®, que avalia inteligência emocional, ajudam a compreender como habilidades emocionais e sociais impactam liderança, tomada de decisão e dinâmica de equipe.
Já o E.MO.TI.VE.® amplia essa leitura ao observar dimensões psicossociais e ocupacionais, oferecendo insumos para identificar fatores associados a bem-estar, desgaste e condições reais de trabalho.
Mas o ponto crítico não está na ferramenta. Está no uso.
Sem governança, qualquer instrumento vira distorção.
Sem critério, vira diagnóstico superficial.
E sem confidencialidade, vira risco reputacional.
Na aplicação madura, a leitura não é individualizada para a empresa. Os dados são tratados de forma agregada, por área ou grupo, respeitando número mínimo de respondentes. Cada participante mantém acesso exclusivo ao seu relatório individual.
O ponto de ebulição já começou
O avanço dessa agenda também se reflete no aumento da busca por orientação prática.
No dia 23 de março, das 19h às 20h30, acontece um encontro online e ao vivo que discute exatamente esse ponto de ebulição: o que muda com a nova exigência sobre saúde mental no trabalho e como as empresas podem estruturar resposta real.
Como resume Adriana Fellipelli, CEO da Fellipelli e especialista na aplicação de instrumentos como MBTI®, EQ-i®, E.MO.TI.VE.® e TKI®, empresas maduras não esperam o aumento dos afastamentos para agir.
Elas estruturam diagnóstico, qualificam lideranças e acompanham indicadores antes que o desgaste se transforme em ruptura.

O ponto crítico: reputação e risco caminham juntos
Empresas que ignoram esse movimento não enfrentam apenas passivo trabalhista. Enfrentam erosão reputacional.
Porque hoje:
- colaboradores falam
- ex-colaboradores expõem
- cultura interna vaza
- e o Google registra
E como já está claro no próprio conceito de Suicídio Digital: Quem não constrói narrativa, vira refém dela.
No final
A atualização da NR-1 não cria um problema novo. Ela formaliza um problema antigo que foi sistematicamente negligenciado. A diferença é que, agora, existe cobrança.
E não será simbólica.
A fala de Adriana Fellipelli não é alerta de tendência. É leitura de cenário.
Empresas que continuam tratando saúde mental como pauta secundária não estão atrasadas. Estão expostas.

