Análise da OMS indica aumento de ataques a instalações de saúde no Oriente Médio

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Análise da OMS indica aumento de ataques a instalações de saúde no Oriente Médio

Valéria Maniero*

No terceiro relatório global divulgado pela Organização Mundial da Saúde sobre o conflito, a agência diz que os ataques aos serviços de saúde aumentaram, comprometendo o funcionamento dos sistemas e violando o direito humanitário internacional. 

Segundo o documento, o aumento foi particularmente acentuado no Líbano, com ofensivas afetando hospitais, ambulâncias e profissionais de saúde.

Alívio com cessar-fogo

Esta semana, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, já havia condenado a situação, dizendo, por exemplo, que os ataques não poderiam ser normalizados. 

No relatório, a OMS afirma que “o cessar-fogo de duas semanas representa um alívio no Irã, mas não no Líbano; e que, por si só, não resolverá os desafios das necessidades de saúde em todo o Oriente Médio.

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O acesso humanitário e o espaço operacional continuam sendo desafios críticos, de acordo com a organização. 

Segundo a OMS, o conflito danificou a infraestrutura civil, especialmente instalações de energia e dessalinização e que tem conhecimento de quatro ataques a usinas de dessalinização de água no Irã, Bahrein e Kuwait. 

Escassez de água

A agência da ONU diz que no Oriente Médio, vários países dependem da dessalinização e que interrupções podem provocar escassez de água, fechamento de hospitais e surtos de doenças transmitidas pela água. 

Esse relatório trata da situação de saúde e das atualizações operacionais da organização nos países afetados das regiões do Mediterrâneo Oriental e da Europa, bem como as atividades e prioridades da resposta global da OMS.

Além disso, a entrega de suprimentos humanitários de saúde para a região e outras áreas está sendo limitada pelas restrições ao espaço aéreo regional e pelo aumento dos custos de transporte. 

Uma rua no bairro Bashura de Beirute, Líbano, coberta por escombros e detritos de edifícios destruídos após ataques aéreos, com fumaça subindo dos destroços.

No entanto, até o momento, graças ao trabalho das agências humanitárias, não foram relatadas faltas significativas de suprimentos médicos. A produção e a disponibilidade global de insumos essenciais de saúde permanecem estáveis.

As principais ameaças à saúde continuam sendo os riscos relacionados a traumas e ferimentos, a interrupção do tratamento de doenças não transmissíveis, a dificuldade de acesso aos cuidados de saúde — inclusive para pessoas deslocadas —, o potencial de disseminação de doenças em abrigos e os riscos radiológicos, nucleares e químicos industriais, incluindo o possível impacto sobre a saúde ambiental e o acesso à água. 

Resposta global e regional 

A OMS está mapeando e priorizando ativamente os riscos à saúde em toda a região, incluindo aqueles decorrentes do deslocamento populacional e dos ataques diretos à infraestrutura. 

A resposta é orientada por uma forte coordenação em nível regional e depende de informações oportunas e confiáveis vindas do terreno, bem como de apoio contínuo dos doadores.

A agência continuará definindo e implementando ações práticas, incluindo a consolidação de evidências relevantes para apoiar os Ministérios da Saúde e as comunidades na gestão e uso seguros da água, do saneamento e da higiene, além de fornecer apoio técnico relacionado à mitigação de riscos ligados à qualidade do ar e à poluição ambiental.

Cobertura vacinal

Os esforços se concentrarão em identificar e apoiar soluções de contingência para instalações críticas de saúde em caso de perda de energia, fortalecer a cobertura vacinal em áreas vulneráveis e garantir a prontidão para surtos de doenças. 

Dr. Abdinasir Abubakar, representante da OMS no Líbano, está em uma pista de pouso de um aeroporto com carga contendo suprimentos da UNICEF e da OMS atrás dele, na frente de um avião fretado.

Além disso, a OMS está apoiando o planejamento de contingência para garantir, por exemplo, a continuidade do atendimento e dos serviços essenciais de saúde, o fortalecimento dos sistemas de vigilância e alerta precoce e a coordenação dos esforços de resposta dos parceiros. 

Embora o foco nos serviços de saúde de emergência, em paralelo à continuidade dos programas em andamento, permaneça, a OMS defende a mudança de atenção para a continuidade dos serviços essenciais em abrigos e para o alcance de comunidades de difícil acesso, por meio de clínicas móveis e serviços comunitários. À medida que a crise evolui, é importante envolver as comunidades, compreender as preocupações e monitorar as necessidades. 

*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra



Fonte ONU

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