É possível ao RH tornar-se protagonista da estratégia do negócio?
Por Armando Ribeiro
No início dos anos 2000, liderei um dos primeiros movimentos de digitalização de benefícios no Brasil. Na época, atuava como sócio e CEO da VB (hoje parte da Sem Parar Empresas), uma fase profissional marcante da minha vida.
O desafio era reinventar o processo de pedidos do vale-transporte, tarefa que exigia muito esforço do RH e dos fornecedores naqueles tempos.
O lançamento do VT Online, na ocasião, marcou essa transição. Pela primeira vez, empresas passaram a gerenciar benefícios de forma digital e automatizada pela web. Este modelo foi levado simultaneamente a mais de 25 mil empresas usuárias dos benefícios, além de ter criado o padrão para todo o mercado.
Ou seja, aquele movimento de transformação digital nos benefícios atingiu em cheio o RH de milhares de empresas em um curto espaço de tempo.
Quanto isto gerou de produtividade no RH naquele momento? Quanto tempo foi liberado para os profissionais investirem na adoção das novas tecnologias que migravam para a internet ou que surgiam por conta desse novo meio de conexão?
Foi uma virada relevante e demonstração de como uma nova tecnologia, apesar de trazer inseguranças, é capaz de solucionar problemas, de forma transformadora, e criar um novo caminho de evolução.
Podemos fazer um paralelo com o que vemos hoje com a IA, que vem impulsionando a toda velocidade novos formatos de automação. Assim como hoje, não se sabia ao certo na época do surgimento da internet qual caminho tomar e quais os impactos reais.
Mas havia uma certeza: era preciso enfrentar a nova tecnologia, mesmo que isto significasse tomar riscos de errar durante o aprendizado. No caso do VT Online, por exemplo, só obtivemos êxito na terceira tentativa. Ou seja, dois projetos foram perdidos até fosse encontrado o caminho. Isto é muito comum em processos de mudança de paradigma com alto impacto como os que vivenciamos atualmente.
Só que o momento atual ainda encontra o RH muito sobrecarregado, muito mais do que na ocasião, e o mesmo desafio permanece: como liberar tempo para atuar de forma mais estratégica e menos operacional?
Esta pergunta é feita tantas vezes que parece ser um clichê. Mas, infelizmente, é verdadeira. Depois de conviver com o modelo por gerações, o RH parece não mais acreditar que seja possível se livrar de tanta operação.
Mas é preciso romper com esse quadro. Afinal, a tecnologia melhora o que existe. Em alguns momentos, ela muda onde as coisas acontecem.
O banco saiu da agência e foi para o celular. O consumo saiu do ponto físico e foi para o digital. A comunicação deixou de ser intermediada e passou a ser direta.
Quando esse ponto muda, a lógica muda junto. E é exatamente isso que começa a acontecer no RH.
No SXSW deste ano, evento de tecnologia e inovação que acontece no Texas, a futurista Amy Webb reforçou esse movimento. Para ela, as transformações mais relevantes não vêm da eficiência, mas da mudança de interface. O impacto real acontece quando muda o ponto de contato entre pessoas e sistemas.
No RH, essa necessidade é evidente.
A área convive com múltiplos sistemas, fornecedores diferentes e processos paralelos. O gestor navega entre plataformas, o colaborador não sabe onde acessar suas informações. Onde está o benefício? Onde resolvo um problema?
Essa fragmentação cria atrito dos dois lados. O colaborador perde autonomia e o RH vira um ponto constante de suporte. Mais trabalho desnecessário.
E o efeito é direto: a operação consome o tempo que deveria estar sendo dedicado à estratégia.
Ao mesmo tempo, a digitalização avança, mas nem sempre gera valor. Sistemas existem, mas não conversam entre si. A informação não chega de forma simples.
É aqui que a mudança passa a ser necessidade.
A Beneo | RH Digital atua exatamente nesse contexto. Ao centralizar a gestão de benefícios em uma única plataforma e conectar gestores e colaboradores, a plataforma muda o lugar onde o RH acontece.
O RH passa a se situar diretamente no celular do colaborador. De forma conectada e sem fricção.
O RH Digital materializa essa lógica. Benefícios, comunicação, documentos e interação convergem em uma única experiência. Quando há uma inconsistência, o próprio sistema orienta a solução. Quando há uma dúvida, a informação já está disponível.
Tudo parte de um princípio simples: reduzir atrito e devolver tempo. Tempo para o RH sair da operação e atuar em mudanças na gestão do trabalho, cultura, estratégia e pessoas.
Construir soluções estruturadas em plataformas para lidar com estas questões levou mais de duas décadas, convivendo com as dores reais do RH. Cada interação ajudou a moldar essa solução.
A tecnologia, como Amy Webb coloca, redefine relações. E no RH, essa redefinição já começou.
Essa não é mais uma tendência. É o que já está acontecendo.
É o RH do futuro, o RH da empresa na palma da mão do colaborador.
*Armando Ribeiro é CEO da Arista e da Beneo. Também é colunista do Mundo RH

