Fuga em massa de prisão e crise na segurança pública agravam instabilidade política na Guatemala

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Fuga em massa de prisão e crise na segurança pública agravam instabilidade política na Guatemala

NATHALIA DUNKER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Sob instabilidade política desde a eleição do esquerdista Bernardo Arévalo, há dois anos, a Guatemala viu sua crise institucional se agravar nas últimas semanas. Em outubro, autoridades informaram que 20 membros da gangue Barrio 18 haviam escapado de uma prisão de segurança máxima. O episódio levou o presidente a destituir seu gabinete de segurança e a denunciar na OEA uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Após a fuga do presídio Fraijanes 2, o Congresso guatemalteco declarou as gangues como organizações terroristas e aumentou as penas para seus integrantes. Além disso, o Executivo anunciou a construção de uma penitenciária exclusiva para membros de facções, com tecnologia de identificação biométrica e bloqueadores de sinal de telecomunicações.

Depois disso, a procuradora-geral, Consuelo Porras, solicitou a cassação do registro do partido do presidente, o Semilla, e a retirada da imunidade de Arévalo e da vice-presidente, Karin Herrera, para investigá-los por suposto descumprimento de deveres em relação ao caso.

“A fuga dos membros de gangues não é novidade. O sistema penitenciário está capturado por eles”, diz à reportagem Francisco Rodríguez, diretor da entidade Plaza Pública, para quem o episódio foi apenas mais um elemento na tentativa de Porras de deslegitimar o governo Arévalo.

A procuradora-geral é alvo de sanções dos Estados Unidos desde 2021, acusada de estar envolvida em um esquema de corrupção e de obstruir investigações para proteger aliados políticos e obter favorecimento indevido. A União Europeia também a acusa de tentar minar a democracia em suas tentativas persistentes de reverter o resultado das eleições de 2023.

A Corte de Constitucionalidade, instância judicial máxima, ratificou a validade do último pleito e a posse de Arévalo. O presidente não tem autoridade legal para destituir Porras antes do fim do mandato da procuradora, que vai até maio de 2026 —embora tenha apresentado projetos de lei para tentar afastá-la.

Quando ela deixar o cargo, o presidente poderá escolher o substituto.

Ante a pressão interna, Arévalo conta com o apoio que ainda mantém da comunidade internacional. No último dia 5, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou, por unanimidade, uma declaração de apoio ao governo guatemalteco. Além disso, após a fuga doscriminosos da Barrio 18, os EUA anunciaram o envio de uma equipe do FBI para os esforços de recaptura.

A crise de segurança pública relacionada aos grupos criminosos tem minado o governo de Arévalo, cuja aprovação caiu de 41% em setembro de 2024 para 31% um ano depois. No mesmo período, a desaprovação avançou de 50% para 64%, segundo pesquisa da Fundación Libertad y Desarrollo.

Neste mesmo levantamento, 70% da população guatemalteca responderam que aceitariam um governo antidemocrático se resolvesse os problemas de segurança do país, e 75% disseram que estariam de acordo com um estado de sítio para o combate à “delinquência”. Ao serem questionados sobre qual país a Guatemala deveria tomar como modelo para solucionar a questão, o mais citado (45%) foi o vizinho El Salvador, do presidente Nayib Bukele, cuja repressão à criminalidade tem sido amplamente alvo de denúncias de violação de direitos humanos.



Fonte
Jornal de Brasília

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